tristes nossos tempos

Na primeira greve dos professores do Paraná, ainda verão, finalizei minha participação ativa quando tive uma queda brusca de pressão e me vi deitada na calçada ao lado da igreja da praça Tiradentes.

Finda a greve, fiquei feliz com o término da paralisação, não pelos concretos resultados alcançados, mas por ver a força da classe trabalhadora, a diferença entre em manifestações com pauta daquelas bradadas ao vento, pela inesquecível lembrança da votação dentro do Pinheirão e também, de maneira egoísta, por ter meu marido em casa de novo, já que eu o perdi pras noites dormindo na assembleia e pros dias junto aos colegas de profissão.

Agora, com a retomada da greve, já no fim da gestação, acompanhei os acontecimentos por ele, por amigos professores, e pelos noticiários.

Essa noite, quando ele foi dormir acampado no centro cívico, meu coração doeu – estou fatalmente sentimental. Apoiei, como sempre, mas ando com o peito apertado, não posso negar. E passei a noite vendo filmes, sem dormir, confabulando, até pensando em problemas pequenos. Sentindo falta do carinho diário que me é tão caro.

Hoje a tarde, no ápice da demonstração de descaso com a população por parte do governo, meu coração gelou quando por horas não consegui contato por telefone e as notícias apontavam prisões, feridos em estado grave e até mesmo se falou em óbito. Surtei.

Agora, respiro aliviada, por um lado, por saber que estás voltando pra casa, inteirinho, e pela dimensão do meu amor, que transcende. Por outro, a tristeza me invade, de maneira concreta, porque castiga no peito o sentimento de impotência frente aos desmandos do filho da puta do nosso governador, do maldito secretário Franceschini e dos demais ocupantes de cargos públicos eletivos que esqueceram a função da própria ocupação.

Outrora otimista, agora lamento profundamente… E vejo os discursos da oposição como oportunistas. Será que em algum momento não o foram? Ou será que caí na triste linha do ceticismo que a tantos atinge?

Caso o ilustre governador termine o mandato, terei certeza que a democracia de nada adianta. Que como diz Deleuze, deve-se dela duvidar, porque a maioria é ninguém. E mesmo no caso atual, em que a maioria mostra-se contrária à atual gestão, a continuidade da atividade estatal frente à contrariedade popular se revelará como prova concreta da ineficiência das instituições democráticas.

Tristes tempos.

Desculpo-me com Helena por trazê-la à incoerência que é o mundo; mas aí logo me lembro que só sou passagem, foi ela quem escolheu vir.

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