Chase those crazy baldheads out of town

Ontem vi uma imagem que me levantou uma memória que eu tinha guardado em alguma gaveta do pensamento – sou extremamente boa nisso.

Tive um pesadelo essa noite e estou acordada desde as 3h. Minha mãe disse que é preparação para o parto, eu acho que isso é desculpa. É culpa. No ano retrasado tive o desprazer de ir com a pós numa visita à Penitenciária de Piraquara. Cheguei na ala infantil no dia da despedida de mães e filhos: choro, gritaria, sofrimento. Explico.

Quando o bebê nasce durante o cumprimento da pena da mãe, até os 6 meses de idade a mulher fica numa ala diferenciada com o bebê; ao completar 3 anos o vínculo é cortado bruscamente, ou seja, o bebê vai embora. Cheguei na ala infantil na hora dessa despedida.

Depois dessa desagradável experiência dormi compulsivamente, como é de costume. Sou fraca mesmo. Três coisas ficaram na minha cabeça: Em primeiro lugar, o despreparo dos meus colegas pós graduandos que acreditavam estar num zoológico; em segundo, a certeza de que um dia olharemos pra trás e não vamos conseguir explicar como pudemos tratar assim nossos semelhantes, encarcerando-os no intento de resolver nossos problemas sociais – de maneira semelhante como é a questão da escravidão no nosso imaginário hoje. Em terceiro lugar, me restou a nítida compreensão de que a descriminalização das drogas é medida essencial à sociedade, afinal a grande maioria das mulheres lá estavam em razão do envolvimento com tráfico.

Levi Strauss faz uma análise interessante em Tristes Trópicos sobre a relação entre a repulsa que se sente em face da antropofagia e a leniência que existe em relação ao encarceramento como forma de punição social. Procurei o trecho aqui, mas não achei. (Só achei vontade de reler o livro.)

Enfim, é exatamente nesse sentido que coloquei acima: Será que não é evidente que a forma como tratamos os demais mostra o quão pouco humanos somos? É tudo uma questão de perspectiva. E de pensar que tem gente que gostaria de ampliar esse sistema punitivo…

Essa foto circulando na internet fez levantar outra questão importante: a impossibilidade de alguns em conseguir refletir sobre qualquer assunto que seja. Digo isso em atenção aos questionamentos por ela levantados: “Por que é mãe não é mais bandida?” Serião? Será que a capacidade de pensar de alguns é assim tão limitada?

Questionar, relativizar e tentar compreender a estrutura das relações sociais das quais fazemos parte é ingrediente necessário ao “estar no mundo”; não faz sentido lançar logo de cara questionamentos que não vão além do próprio umbigo.

Vejo nessa foto mulheres guerreiras, vítimas da marginalização – porque estão à margem de. É necessário ser só minimamente compassivo pra questionar o status quo. Por que isso parece tão difícil pra alguns?

Build your penitentiary, we build your schools

Brainwash education to make us the fools

Hate is your reward for our love

Telling us of your God above

We gonna chase those crazy

Chase those crazy bunkheads

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