Relato do parto

No dia 09.06 fui à medica e já saí de lá animadíssima com a notícia que estava com 2 cm de dilatação.

Meio a ansiedade e alegria, arrumei um pouquinho mais as coisas que já estavam arrumadas há 3 meses.

Às 3:24 da manhã acordei com a primeira contração – realmente como me disseram, você sabe que é contração. Pra mim, a explico como uma cólica menstrual forte e uma facada na lombar; a lombar foi o que mais me incomodou.

Calculando o intervalo entre as contrações, concluí que estavam vindo de 10 em 10 minutos.

Levantei, tomei um banho gostoso, viemos pra sala e ficamos conversando entre as dores. Dor é uma coisa extremamente subjetiva, mas a minha experiência em relação às contrações é que são possíveis de suportar; entre elas é possível conversar, dar risada, pensar no que está acontecendo. Eu estava muito feliz, reclamava da dor, mas gargalhava de alegria – nos intervalos, claro.

Com o tempo as contrações passaram a acontecer de 5 em 5 minutos, e então, às 05:40 saímos para o hospital. Tive muito medo de ser alarme falso, mas chegando lá recebi a notícia que estava com 6 de dilatação e já seria internada.

Tive que ficar sozinha, o que odiei, numa sala preparatória onde encontrei 2 grávidas. Todas fariam cesárea. Eu fui a única que fez parto normal naquele dia.  

Todo meu aparato que levei pro hospital (abajour, vela, incenso, música, etc), pensando que estava indo pra um spa, ficaram de lado quando, num novo exame de toque às 7:30, minha bolsa estourou.

Aí foi tiro, porrada e bomba, uma contração atrás da outra, punk demais. Bibinho do meu lado me contagiando com a calma que só ele sabe ter nas situações em que ela é mais necessária. A dor é uma experiência muito desconcertante porque envolve o descontrole. É o estar sem controle de nada, estar sujeito às sensações, sem domínio nenhum. Coisa de bicho, de natureza que somos. 

8:30 – novo exame, 9 de dilatação… e às 9:26 chegou a Helena, com 3.280kg e 50 cm.

Um bichinho coberto de vernix branco. Minhas lembranças são o grito do Rico, que assim como eu não acreditava no que estava vendo. E o choro da moranguinho, que parou assim que cruzou os olhos com os meus.

Depois dos tramites rotineiros de hospital, a pequeninha voltou pra nós. Cabeluda, um mini toni raminhos.

Com o fim da parte expulsiva do parto, senti uma calma extraordinária, que acredito que se deva aos hormônios liberados, consequência do parto normal, sem intervenção.

 Hoje faz uma semana da chegada da pequena, que parece mesmo um moranguinho.

 Sobre a primeira semana dela, tenho que dizer que não foi/é/está sendo fácil. Estamos dois zumbis, tentando entender o ritmo dela, eu me esforçando pra amamentar, já que a dor é grande, e ainda estou tentando encontrar a maneira adequada de fazê-lo, e lutando contra a insegurança que bate: é um serzinho muito indefeso, delicado. É necessário ter paciência e manter a calma. Como venho escutando: melhora, é o começo. Tenho certeza que sim. Espero conseguir continuar dando o meu melhor.

 Passaria por tudo de novo.

E quando fico muito cansada, quando olho no relógio e são 7:30 e ela ainda não sossegou por mais de meia hora, vem pra mente a imagem dela no colo do papai, dançando pela sala ao som de Bob Marley, calminha, observando tudo.

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Um comentário sobre “Relato do parto

  1. Ai SAMIA, que linda vida e que lindo relato!!! Você foi muito corajosa de fazer parto natural, espero que um dia se for mãe, possa tb!! Dá para sentir o amor que vc tem pela sua família no ar. Saudo sua filhinha ao mundo, muita luz para ela e para vc e seu marido!!! ❤

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