Sobre o puerpério

Ninguém me disse como seria. E repeti isso algumas vezes colocando-me como vítima da circunstância em que me encontrava. Saindo da turbulência percebo que, em primeiro lugar, a vitimização era uma carência absoluta por carinho, porque de receptora absoluta, passei a provedora incondicional. Em segundo, ninguém me avisou porque traduzir em palavras é simplesmente impossível: é diferente pra cada uma.

Com absoluta segurança digo que o primeiro mês é quase absolutamente uma merda. Minha energia reduzida por toda modificação dentro de mim, pela ausência dos movimentos antes dentro, somada à ausência de sono, da insegurança latente, das dores pra amamentar.

Digo com segurança porque a relação de amor mais absoluta que existe, além de estar em processo de construção, é tão, mas tão grande, que demora a ser racionalizada.

Com quase três meses alcanço aquilo que, sim, disseram: passa. E olha que passa mesmo… e só melhora.

O cordão umbilical ainda está aqui, presente, não consigo ficar longe da pequena, e não me vejo longe, não quero. Amo-a tanto, que posso passar horas a observando, e agora quando dorme, quero acordá-la…

Um dia desses me dei conta do amor que sinto e chorei, chorei compulsivamente. É inexplicável! Minha vida não é mais minha e agora a dou à Helena com prazer, com um prazer absoluto, gostoso, cheio de dengo e carinho.

A amamentação, outrora dolorida, é o melhor de mim, me sinto na minha melhor condição. Os quilitchos vão embora (impossível dizer que não incomoda), o coração acalenta, a leoa está presente agora muito mais consciente, sabendo o que faz, entendendo definitivamente que tenho tudo que ela precisa.

É difícil incorporar a maternidade, mas acostuma… E as recompensas, que se resumem à sorrisos e olhares, ultrapassam a mera compensação.

Estou me reinventando como mulher. Não me imagino sem essa experiência, não me vejo serena assim há tempos.

Sou outra pessoa, que luta agora pra se encontrar dentro de si mesma. Num constante exercício de paciência, encontro o amor que transborda em mim, personificado em bochechinhas.

ps: andava com preguiça de escrever, mas hoje vi que o blog ultrapassou 1500 visualizações nos seus 6 meses de existência, por isso continuo. vai que ajuda alguém! obrigada 🙂

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